As Aulas de Alemão: Rotina e Desafios
Aprender um idioma do zero já é um grande desafio, mas aprender alemão para construir uma nova vida em outro país é algo que supera qualquer expectativa. Quando decidi me mudar para a Alemanha, comecei a pesquisar bastante, mas, na época, não encontrava muitas informações sobre o processo em si — só sobre como seria a vida depois de chegar. E, vamos combinar? O processo até pegar o avião é tão importante quanto.
Eu sabia que seria uma jornada longa, mas não imaginava que seria tão cheia de altos e baixos. E, claro, o maior desafio de todos foi o idioma. É super possível aprender alemão, mas não, não é um idioma fácil para quem tem o português como língua materna. As palavras são longas, com muitas consoantes, e a pronúncia é bastante diferente — há sons que a gente simplesmente não fala no português. É preciso ter uma rotina de estudos intensa, que vai além das aulas do curso 📚.
Rotina de estudos e provas
Minha rotina de aulas variava dependendo do dia e do nível (A1, A2, B1 ou B2), mas, de forma geral, as aulas iam das 9h às 17h30. As manhãs começavam às 9h e seguiam até as 12h, com uma pausa de 30 minutos (às vezes duas pausas menores de 15 minutos). Depois disso, a sala se dividia em dois grupos: o Grupo 1 tinha aula das 13h30 às 14h30, e o Grupo 2, das 14h40 às 15h40. No fim do dia, a turma toda se reunia novamente, das 16h às 17h30.
As aulas eram divididas entre Lesen (leitura), Hören (escuta), Schreiben (escrita) e Sprechen (fala), assim como as provas. O A1 e o A2 duraram 6 semanas cada, o B1 teve 8 semanas e o B2 foi o mais longo, com 12 semanas. Após o B1, fizemos a prova presencial, e no final do B2, a prova final. Durante o curso, fizemos vários simulados em cada módulo.
E como eu disse, só as aulas depois de um tempo não são suficientes, você vai precisar manter uma rotina de estudos, e aí vai de cada um adaptar à sua rotina. Para algumas pessoas é melhor estudar sozinha, para outras em grupo, algumas precisam de 2h por dia, outras 4h por dia, outras apenas 1h no final de semana. Não existe uma fórmula mágica, cada pessoa é diferente, não se prendam à padrões de estudo com base em outras pessoas.
E preciso estudar sempre com a cara nos livros? NÃO. Existem muitas formas de estudar um idioma além de livros, talvez seja óbvio para a maioria das pessoas, mas assistir uma série em alemão (Dark, Cães de Berlim, Maxton Hall), ouvir um podcast (Slow German), resolver exercícios de provas, ouvir música (Mark Forster, AnnenMayKantereit), treinar conversação com amigos que estão passando pelo mesmo. Existem muitas opções e isso é algo que cada um pode explorar como prefere também, o importante é estar em contato com a língua. Mas saiba que pode ser muito cansativo, mesmo! No final das aulas era muito comum ter dor de cabeça. 😓
Uma curiosidade: minha turma de SP, junto com uma turma do RJ, fomos "cobaia" para uma nova modalidade de prova voltada para a área da saúde. Embora tenha sido útil para aprender vocabulário técnico, não foi nada fácil, tanto que eles abandonaram a ideia para as próximas turmas. O Lesen e o Hören, por exemplo, eram feitos em um sistema no computador, e a nota era automática — as questões tinham valores diferentes, o que tornava o processo ainda mais confuso. Além disso, você só podia reprovar uma vez. Se não fosse aprovado na segunda tentativa, precisava refazer a prova inteira (e não é nada barato 💸), ao contrário do sistema tradicional do B2, onde você só refaz o módulo não aprovado, mesmo que tenha reprovado mais de uma vez.
Dificuldades emocionais
Esse processo foi extremamente desafiador. Até a prova do B1, eu consegui me sair bem, mas a partir do B2, as coisas se complicaram muito. Passei por dificuldades enormes para conseguir a aprovação. E aí entra outro ponto: reprovar duas vezes pode afetar bastante o psicológico. É frustrante dedicar horas de estudo todos os dias e, mesmo assim, não passar na prova.
Além da frustração, há a questão financeira. Eu tive o privilégio de contar com o apoio dos meus pais durante todo o processo, algo que sei não ser a realidade de todos. Mesmo assim, me sentia mal por gastar esse dinheiro, o que só aumentava a pressão para ser aprovada.
É muito difícil lidar com essas frustrações, então ter alguém para desabafar faz toda a diferença. Pode ser um parceiro, uma terapeuta, seus pais, amigos ou colegas que estão passando pelo mesmo. Durante esse período complicado, o apoio do meu marido, dos meus pais e amigos, além da terapia, foi essencial para me ajudar a seguir em frente.
A verdade é que a gente vem com o B2 aprovado, mas aprende mais para passar na prova do que para usar o idioma no dia a dia. No trabalho, os desafios vão muito além do vocabulário técnico — é preciso lidar com sotaques diferentes, expressões regionais e a velocidade natural da comunicação. Foi um choque perceber que, mesmo após meses de estudo intenso, eu ainda me sentia insegura em situações simples no ambiente profissional. Mas esse é um tema que merece um post à parte, então vou deixar para contar mais sobre o início da minha experiência no trabalho em outra oportunidade.
Embora a jornada tenha sido cheia de desafios (e spoiler: ainda continua sendo — vida adulta, né?), é possível superar cada dificuldade. Aprendi a comemorar cada conquista "pequena", que de pequena não tem nada. Porque, entre risos e comemorações, também houve muitas lágrimas e frustrações. E se eu consegui, você também consegue, basta ter uma pitada de coragem.
Eu sei que muitos de vocês passaram ou estão passando por algo parecido, e adoraria ouvir sobre suas experiências também! Já enfrentou desafios ao aprender um idioma ou mudar de país? Conta tudo nos comentários! 😊
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