Mudando de Trabalho na Alemanha como Enfermeira

Oi, gente!

Como prometi no último post sobre nossa situação da mudança (aquele das caixas infinitas), hoje vim contar um pouco mais sobre o emprego novo. Afinal, mudar de cidade já é um grande desafio, mas mudar de trabalho — que envolve um novo hospital, nova equipe e nova rotina — é desafio em dobro #kkkcrying.

Acabei de completar um mês de trabalho aqui em Stuttgart, e posso vir aqui dizer que: sobrevivi ao primeiro mês do Probezeit! Para quem não sabe, o período de experiência na Alemanha dura 6 meses, sendo normalmente entre 1 mês a 1 mês e meio de Einarbeitung (treinamento). Agora que passou esse começo, confesso que estou mais tranquila para os meses que virão.

A recepção e a equipe 👯‍♀️ Sair da minha zona de conforto em Fulda, onde eu já conhecia a rotina e a equipe (inclusive de outros setores), não foi nada fácil. Na verdade, talvez esse fosse meu único medo ao mudar de emprego. Eu gostava muito das minhas colegas em Fulda, fui muito bem recebida lá e criei bastante expectativa para a nova equipe.

Muitas pessoas já me disseram que sou corajosa: por me mudar pra Alemanha, por mudar de cidade... E de fato, vou admitir que é preciso, de certa forma, coragem. Mas apesar de alguns medos naturais (tipo: "será que a equipe nova vai ser legal?"), eu nunca tive muito medo de mudanças. Na verdade, eu gosto muito, meu cabelo é um exemplo bastante prático disso! Hahaha.

Quando eu decidi por esse hospital, eu tinha tido uma pequena amostra da equipe e posso dizer que escolhi certo. Claro, ser a "novata" nunca é fácil, mas fui muito bem recebida. As pessoas são queridas e me fazem sentir bem estando ali. Então, aquele medo acabou se desfazendo rápido.

Significa que esqueci Fulda? Jamais! Tenho amigos lá, tenho minhas ex-colegas de trabalho e pretendo visitar todo mundo. São pessoas que vou levar pra sempre comigo.

A nova Enfermaria 🏥 Para vocês se localizarem melhor, vou explicar um pouco sobre a enfermaria onde estou trabalhando: ela é especializada em cirurgia de prótese de joelho e quadril (os famosos Knie TEP e Hüft TEP aqui na Alemanha). É bem diferente de Fulda, onde eu trabalhava com ginecologia e alojamento conjunto, mas onde também vinham pacientes de ortopedia cirúrgica.

Bem diferentes as duas especialidades, né? E você deve estar pensando que fisicamente é muito mais desgastante ajudar a mobilizar os pacientes pós-cirúrgicos, mas a verdade é que, nesse sentido, eu não senti tanta diferença. A ideia é auxiliar os pacientes a levantar, mas não de uma forma que force as costas. É mais questão de jeito do que de força, e isso a gente vai aprendendo também (inclusive, tive 2 dias de muita dor na lombar nesse processo até pegar o jeito!).

"Ah Letícia, mas só tem cirurgia eletiva desses pacientes então?" Sim e não. Num mundo ideal, sim. Porém, muitas vezes outras enfermarias estão cheias e a nossa não, e aí a gente acaba recebendo qualquer outro tipo de paciente (a vida como ela é, né?).

A Rotina e os "Standards" Os pacientes chegam normalmente um dia antes da cirurgia, então não costuma ser tanta correria para admitir os pacientes logo cedo, igual era na última. Esse considero um ponto bastante positivo!

É legal que agora eu também tenho com o que comparar. Em Fulda não foi só o meu primeiro emprego na Alemanha, foi o primeiro emprego da vida. E aqui em Stuttgart está sendo tudo melhor? Não, e eu nem esperava que fosse. Ambos têm vantagens e desvantagens e a gente vai se adaptando.

Ao meu ver, a parte boa de ter apenas dois tipos de cirurgia é que tem muitos standards (protocolos) para tudo. É tudo muito bem estruturado e isso é um sonho pra mim, que odeio emergência (claro que pode acontecer, né? Mas o dia a dia é bem o "mesmo do mesmo", o que me traz paz).

E aquela pergunta assustadora: quantos pacientes por enfermeira? A carga de trabalho é bem parecida, mas os horários de plantões são diferentes. O que é muito bom no novo hospital é que os plantões são um pouquinho mais longos, o que ajuda a não ficar "devendo horas" (as temidas Minusstunden) no banco de horas.

O dialeto (O temido Schwäbisch!) 🥨 Está aí um segundo medo que eu e o meu marido tínhamos: o famoso dialeto Schwäbisch. Mas, por incrível que pareça, está sendo muitíssimo tranquilo! Tem uma palavra ou outra diferente, claro, mas no geral as pessoas costumam falar o alemão tradicional mesmo (Hochdeutsch).

De vez em quando aparece uma paciente mais do interior que é mais difícil de entender, mas a gente vai se virando. E posso ser sincera? É impossível ser mais difícil do que foi o meu começo na Alemanha! Hahaha. Essa foi uma motivação pra mudança inclusive: a certeza de que não teria como ser pior do que o início de tudo.

Saldo final desse primeiro mês? Cansaço, muita informação nova, nomes novos para decorar... mas o saldo é positivo. Estou feliz com a nossa escolha de vir para Stuttgart e sinto que, profissionalmente, foi um passo importante para sair da estagnação e ver coisas novas.

Agora quero saber de vocês: quem aí também já passou pelo Probezeit em um emprego novo na Alemanha? O frio na barriga passa mesmo ou é lenda urbana? Me contem nos comentários! E me contem se quiserem saber de algo mais específico também. 👇

Créditos da imagem de capa: Unsplash (Marcel Strauß), arquivo pessoal

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